A vacinação é uma das maiores conquistas da humanidade, sendo o meio mais seguro e eficaz de prevenir doenças infectocontagiosas. As primeiras vacinas foram descobertas há mais de 200 anos. Atualmente, as vacinas são resultado de pesquisas intensivas, constituindo os mais modernos e sofisticados imunobiológicos.

É muito melhor e mais fácil prevenir uma doença do que tratá-la. As vacinas protegem o corpo humano contra os vírus e as bactérias que provocam vários tipos de doenças graves, que podem afetar seriamente a saúde das pessoas levando-as, inclusive, à morte.

A vacinação não apenas protege aqueles que recebem a vacina, mas também ajuda a comunidade como um todo. Quanto maior for o número de pessoas de uma comunidade protegidas, menor é a chance de qualquer uma delas – vacinada ou não – ficar doente.

Além disso, algumas doenças preveníveis por vacinação podem ser erradicadas por completo, não causando mais a referida doença em nenhum local do mundo, como aconteceu com a varíola a partir de 1977.

Neste texto falaremos sobre como o corpo reage às vacinas e a importância da vacinação na população em geral e especialmente nos idosos.

Função das vacinas

A vacina estimula a defesa do corpo contra os microrganismos (vírus e bactérias) que provocam doenças e podem ser produzidas a partir de microrganismos enfraquecidos, mortos ou a partir de alguns de seus derivados.

O corpo detecta a substância da vacina e produz uma defesa, que são os chamados anticorpos. Esses anticorpos permanecem no organismo e evitam que a doença ocorra no futuro, por meio da memória imunológica.

Reações adversas

De maneira geral, todas as vacinas atuais são muito seguras e apresentam poucos efeitos colaterais. Porém, como qualquer outro medicamento, podem desencadear reações ou efeitos indesejáveis após a aplicação. Por serem causados por componentes da própria vacina, na maioria das vezes estes eventos são esperados, inevitáveis e leves, sem consequências permanentes e de curta duração, tais como febre, mal-estar ou dores no corpo ou no local de aplicação.

Reações de hipersensibilidade aos componentes de vacina são raras. Na maioria das vezes, esses efeitos são bem tolerados e rapidamente controlados com analgésicos e antitérmicos. Existem, porém, algumas complicações mais sérias que devem ser acompanhadas pelo médico, necessitando, às vezes, de tratamento específico.

Quando devemos ser vacinados

As vacinas são necessárias na infância e para todas as faixas etárias.

As mulheres em idade fértil devem tomar vacinas contra rubéola e tétano, que, se ocorrerem enquanto elas estiverem grávidas ou logo após o parto, podem causar doenças graves ou até a morte de seus bebês.

Embora o Brasil seja um dos países que mais investem dinheiro público na cobertura vacinal de idosos, ainda observamos resistência de algumas pessoas para aderir às campanhas de vacinação, em especial a da gripe.

É muito importante a conscientização da população sobre a vacinação especialmente no inverno visto que a incidência de gripe e de outras doenças respiratórias aumenta.

Os profissionais de saúde, as pessoas que viajam muito e alguns outros grupos de pessoas, com características específicas também têm recomendações especiais para tomarem vacinas específicas.

 

Idosos

Ao longo dos últimos 50 anos, o Brasil tem desenvolvido um processo de envelhecimento populacional exponencial, decorrente da evolução da transição demográfica, com a diminuição da taxa de natalidade e dos índices de mortalidade.

Os idosos precisam se proteger especialmente contra gripe, pneumonia e tétano. Devido às alterações imunológicas ocorridas ao longo do processo natural de envelhecimento, os idosos são mais suscetíveis ao surgimento de algumas doenças infecto contagiosas, principalmente as do aparelho respiratório. As vacinas recomendadas no calendário de vacinação do idoso são oito: contra gripe, pneumonia pneumocócica, tétano, difteria, hepatite, febre amarela, tríplice viral, herpes zóster e meningite meningocócica.

A vacinação em idosos está amplamente associada à redução das internações devido às doenças cardíacas, cerebrovasculares, pneumonia ou influenza e do risco de morte a elas relacionado. Assim, desde a inserção da vacinação contra gripe no calendário do Ministério da Saúde, observa-se uma importante modificação no perfil de morbimortalidade e na utilização dos serviços de saúde pela terceira idade.

Uma recente pesquisa da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo com o Instituto de Infectologia Emílio Ribas constatou que, desde 1999, as internações de idosos em hospitais públicos de São Paulo decorrentes de complicações de gripe diminuíram cerca de 62%. A mesma pesquisa apontou diminuição de 43,4% nas mortes de indivíduos a partir de 60 anos causadas por doenças respiratórias relacionadas à gripe.

A vacina oferecida na rede pública é a chamada “trivalente”, ou seja, protege contra três subtipos do vírus da gripe (A/H1N1, A/H3N2 e influenza B). É de qualidade reconhecida internacionalmente e extremamente segura.

O país está envelhecendo, porém temos que envelhecer com saúde. O controle das doenças infecciosas também faz parte para que esse processo aconteça com qualidade

 

Segue o calendário de vacinação para idosos, recomendado pela Sociedade Brasileira de Imunizações:

https://sbim.org.br/images/calendarios/calend-sbim-idoso.pdf

 

Saúde

Dr. Sergio Munhoz

 

 

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