Depressão no idoso- uma oportunidade para amar (mais)

Sempre deparamos com perguntas no nosso dia a dia, mesmo que sejam, nem sempre fáceis de responder, mas que aqui ou ali, alguém irá fazer.

Pergunto, então: qual a idade ou a fase mais bonita da vida de uma pessoa?

A fase infantil quando os primeiros passos, as primeiras palavras, as socializações iniciam-se?

Ou a pré-escolar onde a escrita, as leituras começam a florescer?

Quem sabe a fase da escolaridade quando os amigos, as brincadeiras, os passeios tomam parte do maior tempo do nosso dia?

Quem sabe, na fase jovem quando as tensões dos vestibulares, do Enem, da Universidade estão nos ocupando as 24 horas do dia, afinal a noite ainda continua no processo de retenção, de aprendizagem.

Talvez, poderá ser quando ficamos adultos, temos nossas profissões, casamos, nascem os filhos.

Mas, e a última fase, da sinilitude, da sabedoria, do descanso merecido, do sono curto e fragmentado, dos amigos que se vão, quase que diariamente?

Acredito que, cada uma delas tem seus particulares!

Todas as fases da vida, são lindas!

Gosto de todas as fases, mas, desde os meus seis (6) anos, que tenho uma “queda” particular (esta é uma história que você encontrará em artigos e ou vídeos)  pela “ terceira idade”, ou pela “quarta idade”, ou pela “idade da razão”, talvez a “idade da maturidade” ou “idade da sabedoria”.

Por quê?

Porque os idosos são carinhosos, são equilibrados, “fazem quase sempre o nosso gosto”- papai e mamãe que o digam! Estão presentes mais tempo em casa, nos abraçam mais, parece que nos entendem melhor, nos beijam mais, enfim…

Todavia, tudo isto se perde quando eles adoecem.

E, se tem uma doença ou uma situação que os “maltrata” mais e mais, não é a física, visto que os limites já estão postos, diariamente, sendo inerentes ao processo do envelhecimento, mas a depressão, mesmo leve, pior ainda, a grave. Esta sim, poderá até leva-los a morte.

Vejam bem as estatísticas mundiais.

O número de casos de depressão entre os idosos tem aumentado muito nos últimos anos. De todas as faixas etárias, a população idosa responde por 18-20% dos casos.

Isto é muito!

Se analisarmos só no Brasil, hoje eles são 26 milhões de pessoas, o número de pessoas idosas depressivas será muito elevado.

Entendendo melhor: para de cada 10 pessoas idosas no pais, acima de 60 anos, duas estão deprimidas, em qualquer intensidade. E os casos mais graves sabermos gira em torno 2%. Casos em níveis severos de depressão!

A situação se agrava quando o paciente idoso não deseja falar sobre o assunto, ou quando você filho ou filha, não percebe que papai, mamãe, vovô ou vovó, estão “diferentes”.

Mas diferentes como?

Uma enormidade de sinais e sintomas podem estar presentes. A grande maioria dos pacientes apresentam sinais gerais de depressão.

Vejamos algumas situações que poderão despertar em vocês, filhos e filhas, que cuidam dos seus pais em casa.

Antigamente não havia ansiedade excessiva, nem angustia em demasia, muitos menos ironia com humor de irritabilidade, contudo a vida também não era fácil. Este deverá ser um primeiro sinal que as coisas não estão boas. Qualquer situação mais difícil, muitas vezes caseira, papai, mamãe, vovó, vovô se irritarem, mostrarem falta de energia para realizar tarefas do cotidiano fique atento que depressão poderá estar se iniciando.

Outra situação importante a observar dentro do próprio lar. Se frequentemente pais, tios, idosos e avós estiverem desanimados e incapacitados para sentirem alegres e prazerosos em atividades que antigamente o sentiam, novamente à atenção deverá ser anotada. Nunca passar despercebida.

Um sentimento de culpa ou até mesmo vazio onde a rotina parece não mais fazer sentido e o desinteresse por quase tudo, acompanhado de falta de motivação e apatia, você deverá continuar identificando mais sinais e sintomas depressivos.

Você deverá perceber que mesmo na complexidade de fatores existentes na vida do idoso, pois as vezes  são abalados por situações difíceis, tais como: nas finanças, nos problemas conjugais e também dos filhos, um excesso de atividades com os netos, para escola, academia, escola de idiomas, alterações de relacionamento com irmãos ou amigos que outrora era alegre, somado à falta de vontade e iniciativa,  indecisão e particularmente medo frequente e inexplicável, está mais que marcado uma problemática depressiva. A conduta deverá ser urgentemente realizada.

Sabemos que nos lares brasileiros, nem sempre há sensação de segurança, total; todavia, o idoso percebe que a situação não está adequada, pois quase sempre uma enorme desesperança constante se sobressai.

Com toda certeza uma carência no banho, que vezes dias e dias não o fazem. Um sentimento de ruína e inutilidade toma conta dos dias e das noites.

Saber diferenciar uma baixa autoestima durante uma vida de seu papai ou mamãe, não será difícil, contudo quando esta autoestima vá além do “poço” a depressão pode ter iniciado e já estar se acentuando.

Perguntas constantes: que eu fiz? O que estou fazendo? O que produzi nesta vida após tantos e tantos anos de trabalho intenso, árduo e desgastante?

Quando somos mais jovens o surgimento das doenças nos abalam. Basta uma simples gripe, uma infecção nas amigdalas, uma bronquite ou uma cólica menstrual. Com o passar dos anos, sabemos que estas doenças “até fazem parte da vida” e já não nos assuntam, tanto, como assustava!

Com idade se caminhando lenta e continuadamente para além dos setenta, oitenta, noventa anos ou mais, pensamentos frequentes sobre a morte se aproxima. Sabemos também que faz parte da vida de todo ser vivo. Mas, muitos idosos, com quadro depressivo começam a “encarar” “medo excessivo de doenças”. São pensamentos que consomem o dia e a noite. Semana após semana. Ano após ano.

Na realidade analisam pela quantidade de medicamentos que se tomam, pois, as vezes é enorme! São remédios para controle da pressão arterial e do diabetes, para aliviar as dores da artrose e da “cabeça”, para fortalecer os ossos, para melhorar a respiração dos pulmões, para a infecção urinaria, que ingere, nos horários preestabelecidos, o cansam e cursam com um lamento- até mesmo um “pavor da morte se aproximando”

Uma visão distorcida da realidade se apodera de tal forma na vida dos idosos, que surge incapacidade de concentração e de raciocínio. Consequências quase que imediatas no Sono. Se o sono já não era bom, há um bom tempo, agora ocorre uma situação completamente anormal – piora- com insônia. Alguns idosos aprofundam a depressão e não saem da cama, apresentam aumento excessivo de sono. Duas expressões extremamente maléficas para um organismo já frágil e debilitado. Pois sem um sono reparador as doenças preexistentes se agravam ou novas surgem.

Frequentemente um netinho brincando no colo do vovô ou vovó sentirá que estão mais magros, com perda de peso significativa, produzindo até dor quando se achegam mais. Já outras vezes, idosos comem o dia todo, com aumento do apetite e do peso.

A depressão vai intensificando aos poucos. O desejo sexual que outrora era pequeno, agora é escasso ou inexistente.

Para agravar-se mais e mais a situação, a depressão se apodera de outros sintomas físicos não justificados por problemas médicos– especialmente no transito gastrointestinal como:  má digestão, cólicas e dores de barriga mais frequentes, azia, diarreia, constipação, flatulência, levam muitas vezes ao suplicio diário.

Situações se somam com aumento na sintomatologia; como a tensão na nuca e nos ombros, dor de cabeça constante e inexplicável até falta de ar completam um quadro dramático que nossos pais ou avós estão passando.

Desta forma, não cabe a ninguém julgar, e sim saber ouvir com atenção e carinho, colocando-se no lugar do doente, e agir visto que muitas vezes precisam encontrar saídas e resoluções para as suas emoções e pensamentos. O Triste é sabermos ser muito comum os idosos reclamarem e são ignorados e não são ouvidos.

Como cada caso é um caso, converse com o médico do seu parente idoso e busquem soluções de todos os tipos para melhorar o tratamento contra a depressão: há terapias ocupacionais, grupos de apoio, grupos de idosos, tratamentos mais ortodoxos e medicamentosos, psicólogos habilitados, etc.

Lembrar que somente o médico poderá indicar medicamentos, se este for o caso, e seus efeitos colaterais devem ser muito bem analisados na terceira idade.  A família deve estar preparada para apoiar e ter paciência nos momentos difíceis. É importante ajudar o idoso atuando nos aspectos que mais ficam comprometidos com a depressão – como é o caso da autoestima.

Cuidar dos pais em casa é algo mais prazeroso e importante das nossas vidas.

Leia também Depressão na Terceira Idade. O que é? Quais os Cuidados Necessários.

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