Cuidar dos pais idosos não é tarefa das mais fácil, principalmente se são teimosos, não aceitam fazer mudanças, mesmo pequenas. Para muitos idosos a persistência muitas vezes é a busca para atingir objetivos, e isso muitas vezes é salutar. Já a teimosia na terceira idade, a fixação em algo, o apego num modelo único pode ser desastroso, especialmente qual poderá haver riscos à qualidade de vida.

Muitas vezes há a necessidade urgente de contratar um cuidador, alguém preparado para lidar inclusive com essa resistência dos idosos em tê-los em sua casa, alguém com experiência, não apenas um familiar improvisado na função. Essa necessidade surge para que não aconteça nenhuma situação de risco, mas é difícil convencer os idosos. Isso gera situações de estresse e brigas.

Mas quais motivos dessa aversão em se ter um cuidador? E como conversar e negociar essa necessidade?

  1. Não quero, e pronto!

Esta resposta é muito comum entre os idosos pois eles não explicam sua teimosia à resistência à mudança. Você responsável por ele precisa pesquisar quais fatores implicados. Será preciso ter muita paciência e dedicar um tempo para investigar o que produz esta teimosia.

2. Quando há deficiências de órgãos do sentido e da mobilidade

A resistência do idoso à aceitação de um cuidador pode estar relacionado a problemas de órgãos do sentido, como deficiências visuais e auditivas, bem como na diminuição da mobilidade. Isso resulta em vergonha de serem expostos às pessoas, quase sempre desconhecidas, já que antigamente eram extremamente ativos.

3. Quando diz que a ocupação de espaço vai tirar a sua privacidade

Para quem passou muitas vezes sozinho por décadas, ter alguém “estranho” para ocupação do mesmo espaço pode ser uma grande objeção. Tirar a sua privacidade e impedir seu cochilo no “momento em que bem entender” também é um dos principais argumentos em teimarem não quererem auxílio de um cuidador.

4. Quando idoso (e familiares) tem medo de maus tratos e roubos

Com o crescimento desordenado das cidades, a insegurança aumentou intensamente. Em uma idade avançada com limitações físicas e cognitivas, o medo de maus tratos e roubos é mais uma teimosia para não colocar um cuidador.

5. Quando doenças graves impedem amplo discernimento

Em casos mais graves de teimosia, precisamos ver que, muitas vezes, pacientes por estarem muito deprimidos, ou terem derrames, doença de Parkinson e Alzheimer produzindo demências, podem ter memória frágil ou intensa confusão mental e mudanças bruscas na personalidade, recusando o cuidador.

 O que fazer? Três condutas para convencer o idoso a aceitar um cuidador.

  1. Identificação das causas

Em todas as etapas desse processo de identificação das objeções e recusa em ter um cuidador, você precisará entender todos os motivos e explicar a ele, detalhadamente, porque ele está teimando. Ter amor e escutar o lado do idoso, sem “forçar” pode diminuir muito essa resistência e facilitará a chegada do cuidador.

2. Apresente o cuidador aos poucos.

Depois de encontrar um profissional para acompanhar o idoso, faça um período de apresentação e então adaptação entre os dois já dentro da casa. Aos poucos, antes de “soltar” o cuidador, é interessante ter um breve tempo de convivência para que as duas partes se apresentem e conheçam, sem o compromisso de já assumir os cuidados.

Se o caso for de um idoso teimoso agressivo, comece apresentando o cuidador de forma indireta, como se ele estivesse ali para fazer outras funções relacionadas à casa, faxina, lavar e passar roupas e cozinhar. Também procure profissionais pacientes, com alguma experiência nesse tipo de relacionamento.

3. Esteja presente

Com o cuidador de idosos já trabalhando dentro de casa, ainda é preciso que os familiares estejam presentes no dia a dia. Filhos, por exemplo, podem se revezar em visitas para checar se está tudo correndo bem e consultar idoso e cuidador sobre possíveis dificuldades ou problemas na convivência.

Pense que quase sempre o seu ente querido estará sozinho com o profissional que você escolheu e isso pode causar receios sobre sua segurança pessoal e patrimonial.

Aproveite para levar opções de lazer para, quando possível, tirar o idoso de casa ou incentivá-lo em novas atividades. A presença da família também é importante para acompanhar todas as questões de saúde e saber que o cuidador não é e nem pode ser o único responsável pelo idoso.

Forte abraço

Saúde

Dr. Sergio Munhoz

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