7 cuidados na administração de remédios em idosos

Em 1990, quando fazia uma visita domiciliar a um paciente da terceira idade, com câncer avançado, ao entrar para o atendimento, a esposa, também idosa, não parava de sorrir, ou melhor, de gargalhar. Após alguns minutos, entendi que fizera uma confusão na administração dos medicamentos, na noite anterior, onde trocara o seu remédio pelo do esposo. Ela tomou morfina, que era para dor dele, e ele tomou o remédio que era para controlar a pressão arterial dela. Essas confusões e trocas são muito comuns entre idosos. Por sorte a troca de remédios entre o paciente e a esposa não teve gravidade, infelizmente ele ficou com dor a noite toda, e ela, eufórica. 

Com a expectativa de vida cada vez maior, os idosos passaram a desenvolver inúmeras doenças, aumentando o consumo de medicamentos. São remédios para controle da pressão alta, para controle do diabetes, para tratamento da gota, para a diminuição da dor lombar, para a melhora da insuficiência cardíaca, para amenizar graus de depressão, para baixar o colesterol. 

Porém efeitos colaterais não são incomuns e podem ocasionar situações de gravidade. Todo remédio pode causar algum efeito indesejado, até analgésicos, antitérmicos, vitaminas, cremes.  

Veja a seguir alguns cuidados para evitar ao máximo possíveis situações adversas: 

1- Tanto o paciente quanto os filhos e cuidadores devem manter-se avisados de todos os medicamentos: doses, horários, tempo de uso, e quais indicações, mesmo aqueles chamados fitoterápicos, para evitar possíveis interações medicamentosas e efeitos colaterais. 

2- Leia sempre a bula antes de iniciar qualquer tratamento e anote aqueles termos que você desconhece e pergunte ao médico. A bula está ali para orientações rigorosas sobre o medicamento.  

3- Sempre administrar remédios ao idoso em horários diferentes e espaçados, idealmente uma hora de intervalo. Nunca dê juntos dois, três ou quatro remédios, mesmo que cada um sirva para uma situação.  

4- Lembre que mesmo nas doses habituais prescritas os benzodiazepínicos, diazepan, lexotan, dormonid, provocam em idosos uma sedação maior durante o dia e se associam a um número maior de quedas e fraturas ósseas. Os mesmos devem ser tomados ao deitar-se.  

5- Os temíveis efeitos colaterais como queda brusca da pressão arterial, perda da consciência, depressão respiratória ou parada cardíaca podem surgir especialmente em superdosagens.  

6- Sintomas colaterais frequentes como a boca seca, a queda da pressão, tonturas, a retenção urinária, as confusões mentais e as alterações no caminhar são bem mais comuns em idosos.  

7- Os anti-inflamatórios, aqueles utilizados para controle da dor das artroses e artrites, quando em uso crônico, podem produzir gastrites, úlceras e não invariavelmente perfurações do estômago com quadro de abdômen agudo, necessitando urgentemente de cirurgia.   

Assista a este vídeo para algumas orientações básicas no uso de remédios: 

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